Por Dra. Ana Paula Estephanelli · CRM-SP 101359 · Médica nutróloga esportiva

A balança te dá um peso, e o espelho te dá uma impressão. Nenhum dos dois diz quanta força você produz, nem avisa quando um lado está trabalhando bem mais que o outro. A dinamometria é uma avaliação de força muscular que mede isso: ela troca o "acho que estou mais forte" por um número medido.

O que é dinamometria?

Dinamometria é o exame que mede a força que o seu músculo produz. O teste é isométrico e multissegmentar: você faz força contra um sensor que não sai do lugar, sem repetição, sem peso subindo e descendo. Como nada se move, dá para isolar um grupo de cada vez e registrar quanta força ele entrega.

Cada grupo é medido separadamente à direita e à esquerda. Um número só para o corpo inteiro esconde o lado que está produzindo menos, porque o lado forte cobre a diferença. Dois números, um ao lado do outro, mostram o desnível.

Para que serve a dinamometria?

Serve, antes de tudo, para achar o que você não sente. Quando um lado produz menos força, o outro assume a diferença sem avisar: não dói, não trava o treino, e o desnível segue ali até alguém medir.

O uso mais prático é saber onde colocar o esforço. Em vez de supor o ponto fraco e treinar no escuro, você sai com cada grupo em um número, e com um relatório em PDF para o treinador ou o fisioterapeuta.

O que a dinamometria mede

São 13 grupos musculares, medidos dos dois lados em newtons, que é a unidade de força:

  • Joelho: extensão e flexão
  • Quadril: flexão, extensão, adução e abdução (fechar e abrir a perna)
  • Ombro: rotação externa, rotação interna e abdução
  • Cotovelo: flexão (bíceps) e extensão (tríceps)
  • Peitoral: adução horizontal (fechar os braços à frente do peito)
  • Tornozelo: dorsiflexão (puxar o pé para cima)

A preensão palmar, o teste de apertar a mão, fica à parte: tem aparelho próprio e sai em quilograma-força.

O que a bioimpedância acrescenta

Na mesma sessão entra a composição corporal, medida por bioimpedância. Você sobe em uma balança e segura duas hastes, e uma corrente fraca, que não se sente, estima quanto do seu peso é músculo e quanto é gordura. Aqui ela é segmentar, ou seja, faz essa conta parte por parte: mostra quanto de músculo há em cada segmento do corpo, e não só no total.

Ter músculo no braço e mesmo assim não produzir força é bem diferente de não ter músculo suficiente ali, e cada caso pede uma conduta própria no treino e no plano alimentar de quem treina.

É normal ter um lado mais forte que o outro?

Até certo ponto, sim. O que importa é o tamanho da diferença, e por isso a assimetria entre os lados sai em porcentagem:

  • Abaixo de 10%: normal
  • 10% ou mais: alerta, um sinal para olhar com atenção
  • 20% ou mais: crítico, pede investigação
  • Abdução de quadril: limiar mais rigoroso, de 5%
  • Lado mais fraco é o lado onde você sente algo: já entra como crítico

Nenhum desses números é diagnóstico de lesão. Eles apontam onde vale olhar mais de perto, e o que se faz com isso se decide na consulta.

Como é feito o exame de dinamometria?

Dura cerca de 30 minutos. É indolor e não invasivo: sem agulha, sem radiação, sem contraste.

A força sai de um dinamômetro, no formato chamado make-test: você empurra e o sensor, parado, registra a força que você produziu. São 2 a 3 tentativas por lado em cada grupo, e o que entra no relatório é o seu pico, nunca a média.

O que os números querem dizer

Força relativa

É a média dos dois lados dividida pelo seu peso, em newtons por quilo, comparada a uma referência ajustada pela sua idade: abaixo de 0,80 da referência é menos força do que se espera, entre 0,80 e 1,20 está dentro do esperado, acima de 1,20 é mais força do que se espera. Nenhum desses valores significa doença por si só: cada um é lido junto com a sua história, a simetria e as razões entre grupos, e o grupo que fica atrás costuma virar foco no treino.

Essa comparação usa uma tabela de referência de fora, e ela tem limites, que explico mais adiante. A medida que pesa mais é a sua contra você mesmo: o mesmo grupo, no mesmo aparelho, ao lado do resultado da sua avaliação anterior.

Equilíbrio entre grupos opostos

Força isolada diz pouco. O que informa é a relação entre músculos que puxam para lados contrários:

  • Isquiotibiais e quadríceps (H/Q), alvo 0,50 a 0,60. A parte de trás da coxa comparada com a da frente, um sinalizador de desequilíbrio ali. A relação entre essa razão e lesão é debatida na literatura, então o número nunca é lido sozinho.
  • Rotação externa / interna do ombro, alvo 0,66 a 0,75. Rotação externa fraca em relação à interna associa-se a queixas de sobreuso em quem faz gestos acima da cabeça.
  • Adução / abdução de quadril, alvo 1,00 a 1,20. Adutor fraco associa-se a lesão de virilha.
  • Flexão / extensão de cotovelo, alvo 1,50 a 1,60. O bíceps costuma ser de 50% a 60% mais forte que o tríceps.

A nota de 0 a 100

A nota existe para comparar você com você mesmo em um número só, de uma avaliação para a outra. Ela junta força relativa (40%), simetria (35%) e equilíbrio entre grupos (25%), com um nível: 85 ou mais, Elite; 70 ou mais, Avançado; 55 ou mais, Intermediário; abaixo de 55, Iniciante.

A nota tem um limite: ela é uma referência interna deste exame. Não é classificação validada e não vale como resultado clínico isolado.

Como saber se estou perdendo força com a idade

De tudo que o exame mede, a preensão palmar é a medida com a base mais sólida. Ela tem um valor de corte validado em estudos com muita gente, o número abaixo do qual vale investigar. É o corte adotado pelos principais critérios internacionais de sarcopenia, que é a perda de músculo e de força que vem com a idade. Isso quer dizer que o seu número pode ser comparado a uma referência de fora, e não só a você mesmo.

Por isso ela ajuda a rastrear a perda de força que vem com a idade. Nada disso é diagnóstico: um valor abaixo do corte apenas sinaliza que vale investigar se você está entrando em sarcopenia, a perda de massa e de força muscular. Depois dos 40 esse acompanhamento muda de peso, e é aí que ganhar massa muscular deixa de ser assunto de estética.

No que confiar, e o que o exame não é

Alguns números do exame se sustentam melhor que outros. A assimetria entre os lados e as razões entre grupos são contas entre duas medidas do mesmo paciente, no mesmo aparelho, na mesma sessão: se o aparelho estiver descalibrado, o erro aparece nas duas pontas e se cancela. Elas não dependem de tabela nenhuma de fora, e é por isso que são o centro do exame.

Os valores absolutos de joelho e de extensão de cotovelo também se sustentam, porque vêm de estudos que mediram a força do mesmo jeito que este exame mede. Nos demais grupos o número entra como referência, e não como veredito: a literatura em newtons por quilo é escassa para quadril, não existe tabela feminina de verdade para o peitoral e ali o valor é uma estimativa, as referências de ombro foram recalibradas em 2026, e parte da base histórica vem de um estudo com adultos de 50 a 79 anos. Mesmo aí, a comparação entre os lados continua valendo.

Isso delimita o que o exame consegue responder: ele não identifica lesão e não aponta a causa de uma dor.

Para quem é indicado e quando repetir

O exame de força muscular faz sentido para:

  • Quem treina, corre, pedala ou joga raquete e quer achar o gargalo
  • Atleta amador ou competitivo
  • Quem teve lesão e quer saber se voltou simétrico
  • Quem sente dor recorrente sempre do mesmo lado
  • Quem tem 50 anos ou mais ou quer rastrear perda de força
  • Quem quer ganhar massa muscular e medir o progresso além da balança
  • Quem está começando a treinar e quer um ponto de partida

Os números passam a ser comparáveis ponto a ponto na reavaliação, sugerida de 8 a 12 semanas depois, com o mesmo aparelho e na mesma posição. É quando dá para perguntar se a assimetria do joelho diminuiu, ou se a força relativa do quadril subiu. Isso ajuda a mostrar se o treino e o plano alimentar estão funcionando, e orienta o ajuste na quantidade de proteína por dia.

Onde é feita a avaliação

A avaliação física é feita em São Paulo, no Campo Belo. Para entender como funciona a consulta, conheça a médica responsável.

Dra. Ana Paula Estephanelli é médica formada pela Santa Casa de São Paulo, pós-graduada em Nutrologia Esportiva, com mais de 20 anos de prática clínica. Atende em São Paulo (Campo Belo). Conheça a trajetória da Dra. Ana Paula →

Conteúdo informativo, não substitui a consulta médica. A dinamometria é uma avaliação de aptidão física: mede força, simetria e composição corporal. Não é exame diagnóstico. Um valor fora do esperado não significa doença — os números são lidos junto da sua história clínica e do exame físico, e servem para orientar a investigação. Cada pessoa responde de forma diferente ao treino e ao plano alimentar, e nenhum resultado é garantido.